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24/03/2014
Comunicação no licenciamento ambiental

*Cecília Siqueira

 

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A Comunicação é uma das ferramentas mais estratégicas na implementação de grandes empreendimentos. Decisiva no processo de aceitação pelas comunidades, ela contribui ativamente para o sucesso ou o fracasso total do negócio. Dificuldades como multas, seguidos termos de ajustes e mesmo a perda de lucros, quase sempre estão diretamente ligados à qualidade da comunicação ou à falta de atenção dos gestores com ela.

 

Antes mesmo de iniciar as obras é preciso ter um Programa de Comunicação Social, que está entre as condicionantes emitidas pelo Ibama na LI (Licença de Instalação), que autoriza o início da construção. Esse programa deve aumentar o nível de conhecimento dos stakeholders sobre empreendimento. O desafio é fortalecer o relacionamento, estimulando atitudes de harmonia, pró-atividade, parceria e corresponsabilidade. É fundamental traduzir a visão da empresa para as comunidades próximas ao empreendimento, sem esquecer ainda dos seus empregados, do público especializado e até mesmo clientes e fornecedores.

 

O trabalho de Comunicação deve ser entendido como um processo sistêmico, contínuo e progressivo; e não como uma sucessão de atos de informação. Não basta difundir mensagens educativas pelos meios tradicionais de comunicação para obter apoio e adesão em relação ao novo empreendimento. Mais do que informar a população - ação evidente e fundamental pelo impacto socioambiental que o empreendimento detém -, as comunidades impactadas diretamente devem ser vistas como parceiras preferenciais na implementação das ações de segurança operacional e preservação do meio ambiente. A empresa deve gerar uma interação própria através da comunhão de sentidos e valores, criando e mantendo vínculos. É fundamental conhecer a cultura local, identificar e gerenciar os impactos sociais e econômicos (positivos e negativos) relacionados às suas operações e melhorar a contribuição efetiva para a comunidade de entorno.

 

A equipe de comunicação precisa ser multidisciplinar – o que possibilita maior riqueza de percepções - e praticar uma escuta de qualidade. Ao mesmo tempo em que se faz determinada divulgação, é importante obter do público-alvo informações relevantes que subsidiem o planejamento e execução de outras etapas do trabalho e, também, a formulação de estratégias para futuras iniciativas. É preciso levantar as diversas representações influentes da comunidade e ouvir as que estejam a favor e contra o empreendimento. Entre elas, podem estar religiosos, médicos ou comerciantes, não só políticos ou dirigentes de associações.

 

Por meio de um diagnóstico, a organização pode se antecipar, maximizar os aspectos positivos e avaliar as oportunidades que se apresentem. O objetivo é contribuir para a solução dos problemas, questões e impactos levantados durante a sondagem.

 

Já atuei em dezenas de trabalhos de comunicação estratégica, entre eles no diagnóstico junto a uma comunidade, quando uma empresa de exploração mineral estava expandindo a planta. Os caminhões envolvidos nas obras geravam poluição sonora, aumento de tráfego e muita poeira. O número de reclamações no período era imenso e, ao ouvir a comunidade de entorno, a empresa conseguiu atender muitas das reivindicações e diminuir o incômodo causado. Outro exemplo bem mais simples, no âmbito doméstico: um morador presenteou os vizinhos com uma caixa de bombom e uma carta, desculpando-se pelos transtornos que causaria durante uma reforma.

 

O mundo corporativo dos nossos dias é extremamente dinâmico. Comunicar-se de forma transparente, eficaz e bem direcionada tornou-se uma questão chave: credibilidade e reputação são construídas a partir dos relacionamentos. A consolidação da imagem institucional de toda empresa passa, necessariamente, por uma política de Comunicação que esteja alinhada às suas ações estratégicas e dirija-se a diferentes segmentos do seu público de interesse.

 

 

*Publicitária e diretora de Comunicação Corporativa e Marketing da AB Consultores Associados.

 

**O Grupo Minas Marca não se responsabiliza pelos conceitos, ideias e opiniões emitidos nos blogs assinados.

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Últimos Comentários

Kátia Siqueira
31/03/2014
Kátia Siqueira
fantástica a percepção e narrativa. Vou compatilhar certamente!
Rafael Guimarães
24/03/2014
Rafael Guimarães
O ideal seria que exigência do Plano de Comunicação Social para a LI se manifestasse também na forma de fiscalização pós-concessão da LI. Provavelmente uma vez apresentado o Plano e concedida a LI, o IBAMA nunca mais voltará a consultar o Plano de Comunicação durante a execução da obra.
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